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Diário de catarse: Se eu morrer jovem




Se eu morrer jovem, antes que meu corpo conheça um feto, que minha pele crie rugas e meus cizos apodreçam... Que ninguém tenha pena de mim. Eu nunca me senti em casa.

Diário de Catarse: A dor



A dor se acomodou em meu peito, em meu estômago e em meus pulmões. Me ensinou a notar com assombro as batidas do meu coração, a observar minimamente o sabor dos alimentos e a desfrutar com emoção o ar que opera meu organismo.
A dor se acomodou em meu cérebro, sentada em meu sono, em meus olhos, em minha fala. Me deu pesadelos, colocou a raiva em minhas palavras, colocou a expressão vaga em meu rosto e a distância entre as pessoas.
A dor me deixou cruel, me tirou o emprego, a família, a vontade, os pudores, me encheu de ácido. Me afastou de quem não entendeu e me aproximou de quem viu mais longe. A dor me mostrou que os bons existem e que ela os atrai. E me mostrou que, infelizmente, é assim com os maus também.
A dor me disse, ao pé do ouvido, que um dia vou vê-la de novo. Sussurrará, será quase inaudível.

Diário de Catarse: A teoria do azul



 Quando vejo as pessoas perguntando sobre felicidade. Onde se encontra. O que é. Do que depende. Apenas uma coisa vem à minha mente: A cor azul.

 Existem várias cores no mundo. E existem vários tons de cada cor também. De todas que poderia escolher, eu escolhi o azul. Eu o procuro em todo lugar. Seja quando estou na janela de um ônibus, ou quando olho os passantes na rua, ou mesmo quando compro uma porção de balas. Ele está em todo lugar. O azul é a minha teoria para a felicidade.

 Venha comigo, eu irei explicar logo.

Diário de Catarse: Um suicídio marcado


 Escrever foi sempre meu único grande alívio da existência. Foi a catarse, o vômito, o espirro, a tosse. Uma expulsão dos males, um exorcismo constante. Mas, hoje, veja bem, algo que nunca imaginei que aconteceria, aconteceu. Comecei a sentir vergonha do meu ato de escrever. Sinto que sou patética. Me sinto mal por ter escrito durante tantos anos e também por continuar escrevendo nesse instante. Não faz mais sentido. É ridículo. Todas as letras que juntei em busca de sonoridade e doçura e veneno... se traduziram para mim em uma miserável prova do meu narcisismo. O mundo em que vivo, não é o mundo real. Estou com a cara enfiada na minha própria bunda, veja só!

Diário de Catarse - Lambendo a ferida


 Debaixo da unha, no canto dos olhos, na saliva. Tudo no ser humano é de uma sujeira impressionante. Há de se encontrar um canto onde habita um pano limpo e um desinfetante nesse corpo sem forma que é a bendita e idolatrada alma. 
 Eu queria descabelar o verso para dizer que contesto o contexto de quem com testa de ferro me vence. É pra rir meu amigo, que poetiza podre sou eu. Quem dá por mim algum trocado para viver mais alguns anos? Morreria de amargura antes da fome. Quanta ironia e sarcasmo meu sangue acumulou com os anos. Talvez isso saia nos meus exames de fezes e me mostre o que anda comendo minhas vísceras.

Diário de Catarse: Eu assisto pornografia



   Sim, eu assisto pornografia.
 Assisto quando acordo. Assisto quando vou trabalhar. Assisto quando vou à faculdade e também quando vou me deitar. Há pornografia em todo lugar. Até em meus sonhos, em meus pesadelos, em meus desejos e medos. Eu assisto pornografia a cada segundo e não sei como parar. Pornografia é o que há! E não venha me dizer que você também não assiste. Não venha me dizer que você também não participa. Talvez... se for o tipo de pessoa que não presta atenção. Mas me pergunto como isso pode ser possível. 

Diário de Catarse: Batatinhas chips no universo


O mundo é completamente inútil?
Vamos ser sinceros e nos questionar. Afinal de contas que utilidade esse nosso mundo tem?
Ah, a vida. Tá, tudo bem, vamos incluí-la no mundo. E agora, o que tudo isso tem de útil?
O que toda a vida e o mundo tem de prestativo?