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Diário de Catarse: E a dor virou arte



Não transformei essas postagens em um livro por ter esperança de vender várias cópias e me tornar famosa com ele. Não estou oferecendo para as pessoas da minha cidade e sequer comprei cópias para distribuir. Eu, na verdade, preferi apenas deixá-lo no mundo, como fiz com esse blog desde 2012, pois foi feito mais para mim mesma, como uma necessidade desesperadora. Outra verdade é que, não raras vezes, tenho me sentido mal em ter feito esse livro e o colocado para vender. Me senti como se estivesse vendendo uma revista playboy da minha alma.

Diário de Catarse: Retalhos mentais




Através de uma pequena fresta da porta consigo ver o corredor que leva à sala. A luz da manhã nas paredes claras da cozinha me dói os olhos. Não consigo abri-los completamente, mas preciso me acostumar, pois não receberemos o tom dourado e quente do sol por algum tempo. Pelos próximos dias de junho e julho será tudo prateado e frio em Divino. Eu costumava amar o inverno, mas ele se tornou constante demais.

Diário de catarse: O natal dos sonhos


Aos 11 anos eu ainda me sentava à janela. A cidade muito quieta e o bairro morto à meia-noite. Estava sempre muito calor e os pernilongos faziam serenata. Não havia árvore de natal em casa, com enfeites de bola ou pisca-pisca. Ninguém se reunia para cear ou trocar presentes, ninguém se importava.
Na tevê estava passando Mary Poppins. Em algum outro canal havia filmes parecidos ou propagandas tão encantadoras que meus olhos, fatigados pela mesmice, sequer piscavam. Celebrações se iniciavam em várias regiões do mundo.

Diário de catarse: Carta aos mortos

Oi, avó.
É triste perceber que não me recordo de seu olhar. Aliás, não sei dizer qual era a cor de seus olhos. Gostaria de poder imaginar como me olhava, se seria mais como um abutre sobre a carniça ou como qualquer um de nós olha para um inseto asqueroso. Algum dia eu terei sido como Gregor Samsa? Ou um pouco menos que algo tão filosófico?

Diário de Catarse: Preguiçosa




Há muitas roupas na cadeira próxima à mesa do notebook. A manga de uma blusa de frio listrada está pendurada no topo da pilha, quase encostando no chão. Em outro canto há uma sacola de papel, uma raquete de matar mosquito e o secador de cabelo que usei antes de sair.
Tudo isso me incomoda, mas não me levanto para arrumar, não me levanto para nada. Eu estou na cama e inerte, treinando como ser mais um objeto fora do lugar nesse cenário.

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